Deixei meus olhos sòzinhos
nos degraus da sua porta.

Minha bôca anda cantando,
mas todo o mundo está vendo
que a minha vida está morta.

Seu rosto nasceu das ondas
e em sua bôca há uma estrêla.

Minha mão viveu mil vidas
para uma noite encontrá-la
e noutra noite perdê-la.

Caminhei tantos caminhos,
tanto tempo e não sabia
como era fácil a morte
pela seta do silêncio
no sangue de uma alegria.
Seus olhos andam cobertos
de côres da primavera.
Pelos muros de seu peito,
durante inúteis vigílias,
desenhei meus sonhos de hera.
Desenho, apenas, do tempo,
cada dia mais profundo,
roteiro do pensamento,
saüdade das esperanças
quando se acabar o mundo…

Cécília Meireles

Mais sobre Cecilia mireles em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cecilia_meireles

By Juli Ribeiro